Visitar um deserto faz parte da lista da maior parte daqueles visitam Marrocos e, na nossa passagem por Marraquexe, não foi diferente. Podendo optar entre o deserto de Zagora e de Merzouga, por falta de tempo, acabámos por escolher o primeiro.
Os tours para o primeiro eram de 2 dias e para o segundo 3 a 4 dias. Tendo apenas dois dias disponíveis na agenda, o deserto de Zagora acabou por se impôr como uma escolha necessária. No final, acabou por ser um experiência positiva, com altos e baixos, que passamos a partilhar.

Este deserto é de facto de um deserto. Árido, quente e seco, parece não have água ou humidade em lado nenhum e tem camelos. Mas a verdade é que lhe falta muita coisa para se aproximar do deserto que idealizamos quando preparamos as nossas férias. Dunas de areia a perder de vista, um céu super estrelado e distância da civilização.
É indiscuível que Zagora não preenche nenhum destes 3 últimos requisitos, ao contrário de Merzouga. O chão está cheio de pedras, as dunas são poucas e, em termos de cenários, apenas a zona onde vemos o nascer-do-sol vale mesmo a pena.

Para além disso, a viagem de meia hora de camelo, do carro até ao acampamento, é insuficiente para nos afastarmos da estrada e da civilização como seria desejável. Não é possível sentir o isolamento que a ideia de deserto pressopõe. E, à noite, a luzes da vila mais proxima ofuscam as estrelas no céu. Quem procura.
Por outro lado, assistir ao anoitecer e nascer-do-sol, jantar tagine, dormir numa tenda e ouvir música à volta da fogueira, podem fazer valer a pena uma visita. Para além de ser possível fazê-lo em apenas dois dias, a viagem, bem cansativa, é mais curta do que para Merzouga mas com pontos de paragem nos mesmos locais.
O deserto de Zagora é uma boa opção para quem não tem 3 ou 4 dias para ir conhecer o deserto mas que, mesmo assim, não dispensa a experiência. Não nos esqueçamos que o deserto é apenas o destino final. Pelo caminho podemos parar em locais como Télouet, Ait-Ben-Haddou e Ouarzazate. Este locais valem tanto ou mais que o resto. Há varias opções de tours, podemos escolher aquela que mais nos agradar.

Foi a primeira paragem da viagem, e muito bem-vinda. Justifica-se apenas pelo Kasbah de Télout, um palácio Berbere, parcialmente em ruínas, onde podemos encontrar detalhes de arquitetura fantásticos. A zona aberta ao público é suficientemente bela e ampla para deixar perceber a importância que aquele local teve. Foi como entreposto comercial, entre o deserto e Marraquexe, que a vila prosperou ao ponto de permitir a construção de um castelo com aquela imponência. Para nós esta paragem foi uma agradável surpresa e demorou aproximadamente uma hora. Descobre mais no nosso artigo sobre o Kasbah de Télout.

Chegamos aqui por volta da hora de almoço. É ali que é suposto fazermos uma refeição, não está incluída no tour ou serviço. Tendo em conta a programação apertada, temos cerca de duas horas para encher a barriga e visitar o Ksar de Ait-Ben-Haddou, património mundial da UNESCO. Se do almoço podemos apenas esperar tagine ou coucous, a preços para turista, do Ksar podemos esperar bem mais.
Na outra margem do rio vamos encontrar um cenário incrível, eternizado em cenas de Game of Thrones e do filme o Gladiador. A vila fortificada, com muralhas ocre, é feita de Kasbahs, casas e ruelas com comercio, “donas” de uma atmosfera descontraída. Explorar a zona, tirar umas fotografias e, tendo tempo, subir ao topo da colina, para ter uma perspectiva diferente do vale, fazem valer a pena a paragem. Descubra tudo sobre este local no nosso artigo Ksar de Ait-Ben-Haddou.
Chegámos ao deserto de Zagora cerca de uma hora e meia antes do pôr-do-sol. A carrinha parou à beira da estrada, na zona onde dezenas de camelos esperavam os turistas. Uma viagem de meia hora nas costas do quadrúpede temperamental, batizado de Jéssica, levou-nos até ao acampamento, não muito do longe dali. A primeira coisa que fizemos foi uma espécie de check-in e deixar as malas na tenda.
Depois subimos a primeira duna, à frente do acampamento, para assistir ao Pôr-do-sol. Em seguida descemos para o repasto. Mais uma vez tagine, acompanhada de duas garrafas de vinho que levámos connosco. E ainda bem. Para sobremesa, como é hábito, os anfitriões acederam uma fogueira e tocaram música. Foi divertido. Ainda antes de ir dormir deu para voltar a subir a duna e ver como é o céu à noturno naquela zona. Foi a tal desilusão. Havia muita luz e céu não impressionou.
No dia seguinte acordámos bem cedo, perto das 6 da manhã, para ir ver o nascer-do-sol. Apesar das pedras, e das poucas dunas de areia, foi um dos pontos altos da experiência. A vista é bonita e o ambiente muito tranquilo. Sentá-mo-nos a contemplar o momento, passeámos um pouco e descemos para, novamentede camelo, voltar ao carro e à estrada.
Este local foi o que menos nos impressionou. Parámos lá na viagem de regresso, também pela hora de almoço. Mais uma vez, com opções reduzidas e caras.
Muito turístico, Ouarzazate tem pouco mais do que a bela fachada do Kasbah. É possível visitar o seu interior mas apenas vamos encontrar dezenas de salas, iguais e vazias. Paredes portanto. Para além disso há ainda um pequeno souk, também muito turístico, e o museu do cinema, uma escolha pouco óbvia tendo em conta o pouco tempo de paragem que temos. Mas, olhando ao resto, passear por alguns cenários “hollywodescos” talvez não seja má ideia.
No geral, não é de se esperar muito de Ouarzazate.

Há várias opções chegar até lá:
Há pró e contras em todas a opções e nós tentamos evidenciá-los para que estejamos preparados. Mas, para que não fique a impressão de que foi uma má experiência, reforçamos a ideia de que gostámos bastante da nossa incursão ao deserto de Zagora.
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